Uma conhecida está com câncer terminal. Não sei muita coisa sobre a doença para poder dar mais detalhes, mas soube por minha tia que ele se espalhou por vários órgãos do corpo. Eu sei, bem triste. O curioso é que ao mesmo tempo que torço para que ela não sofra -ninguém merece agonizar por conta de doença-, não entendo porque a minha amiga deveria insistir em sofrer. Se é mesmo câncer terminal, ela só vai conseguir adiar a morte mais um pouco. Faz muita diferença se for agora ou daqui a duas semanas?

Retrato da alma: a imagem de fundo do processador de texto mostra uma árvore sem folhas em meio a um inverno bastante rigoroso.

Por falar em inverno, reclamei, reclamei e reclamei do último, mas Deus, eu não suporto o verão. Ideal seria um lugar em que a temperatura ficasse entre cinco graus negativos e dez graus positivos. Mais que isso é desespero. Aqui em Nova York é assim: se faz calor, não dá para sair. Os restaurantes ficam lotados, o metrô cheira mal e por onde quer que eu ande, só vejo mulheres semi nuas -único aspecto da estação que agrada o meu marido. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas sinto saudade do inverno. Não nasci para piquenique, odeio shows, odeio multidões. Dependo do Sol como dependo do meu avô: sei que vim dele, mas prefiro evitar o contato.