Namorado Imaginário

in the words of John Lennon, reality leaves a lot to the imagination

Vem sempre aqui?

Posted on March 14th, 2012

Mudei o layout do blog na esperança de que fosse voltar a escrever, mas pelo visto não funcionou. E o pior é que eu gostava do layout antigo. Acontece tanto comigo: vejo um blog mais bonito do que o meu e penso: “se eu tivesse essa direção de arte, escreveria todo dia”, mas design nenhum até hoje fez com que eu respeitasse os meus textos, o que me faz concluir que o problema está nas coisas que escrevo e não no desenho do blog. Em meados de 2009 eu suspeitei que era uma péssima escritora e resolvi ler mais e escrever menos. Sabe como é, para aprender. Três anos depois, tenho certeza de que sou uma péssima escritora e resolvo nem mais tentar. Compro um template aqui, outro ali, posto um poeminha e vou fingindo que tenho blog. O melhor é o desespero: além de conter textos ruins, agora o meu blog é feio. Mas pelo menos continuo lendo.

Se o leitor quiser um blog de verdade, visite o da Juliana -que por sinal tem um template lindo. Ou o da Ieda. Juliana e Ieda são minhas escritoras favoritas, as únicas brasileiras cujos textos eu invejo. Se algum dia deixarem de escrever, eu abandono de vez a Internet. Mentira. Mas venho aqui todo dia reclamar.


The taxi ride back home

Posted on March 14th, 2012

When I am away from you

The world beats dead

Like a slackened drum

I call out for you against the jutted stars

And shout into the ridges of the wind.

Streets coming fast,

One after the other,

Wedge you away from me,

And the lamps of the city prick my eyes

So that I can no longer see your face.

Why should I leave you,

To wound myself upon the sharp edges of the night?

(Amy Lowell)

Being my happiest

Sexo com Julie London

Posted on December 19th, 2011

Pessoal se mudando para o apartamento aqui do lado hoje cedo. Diminuo o passo ao me aproximar da pilha de caixas que eles – dois homens e uma moça – amontoaram na entrada do elevador e é impossível não escutar a conversa.
“Como posso ajuda-los? Posso carregar alguma coisa?” a moça perguntou.
“Imagine! Só de estar aqui, você está ajudando,” um deles respondeu.
“Mas eu não estou carregando nada!”
O homem sorriu, desajeitado. A caixa que ele segurava parecia pesada.
“Se bem que estou pagando essa mudança com o meu trabalho, então a principal ajuda é a minha!” ela disse e veio vindo para perto do elevador. Não sei se a escutaram. Tomara que não.

Assim: ninguém aqui é mais feminista do que eu. Eu me orgulho muito dos avanços das mulheres nas últimas décadas e ~ai~ de você se tentar tirar um direito que seja de mim, mas ao ouvi-la dizer em voz alta que era ela quem pagava o salário deles, eu tive certeza de que se eu fosse homem, eu jamais ia querer fazer sexo com a moça. Que pecado, meu Deus, a pessoa nascer mulher e não ser elegante. Você consegue imaginar a Julie London dizendo uma coisa dessas?

Eu teria amado fazer sexo com a Julie London.

Via sacra

Posted on May 31st, 2011

Para mim, a beleza e por enquanto a única utilidade da religião -estou apenas começando minha caminhada por essas vias, logo é normal que eu ainda não encontre sentido em tudo- está na cautelosa adaptação à realidade que podemos fazer. É impossível ler a Bíblia e não sentir-se meio confuso perante tanta informação. Para compreender a mensagem da Bíblia, que tem camadas e mais camadas de contexto, eu quase sempre preciso de alguém que me guie ou pelo menos de uma outra Bíblia, de estudo, que acompanhe a leitura. Do contrário, jamais entenderei o que o salmista quis dizer com “a sua vara e o seu cajado me consolam” e assim por diante. Mas algo que pode sim ser feito, e que venho timidamente tentando, é adaptar o pouco que compreendo da Bíblia à minha vidinha cotidiana. Ora, se Salomão afirma que tudo é vaidade, eu primeiro preciso entender o que é tudo, mas principalmente o que é vaidade. Calçar luvas no frio é vaidade? Sentir frio é vaidade? Acariciar a barriga do meu cachorro é vaidade? De posse de tais conclusões, que ainda não tenho, sou capaz de analisar a minha vida e (sendo o caso) endireitar* o meu caminho.

 
*ENDIREITAR o meu caminho, hahaha. Logo eu.

 
Ainda sobre religião, tenho pensado bastante nas diversas aplicações do sofrimento. Nasci na parte do mundo em que as pessoas combatem a idéia do sofrimento a todo custo, sem se dar conta, por exemplo, de que amar é sofrer -e é impossível ser homem e não amar. Poucos conceitos são tão combatidos no Ocidente, e poucos são tão bonitos. Essa escolha por sofrer o dano, por dar a outra face -que automaticamente tranforma quem a pratica numa pessoa maior, nunca sendo, no entanto, o motivo principal por trás da ação- é rica demais, preciosa demais e ainda tenho muito o que aprender com ela.

Frio

Posted on May 23rd, 2011

Uma conhecida está com câncer terminal. Não sei muita coisa sobre a doença para poder dar mais detalhes, mas soube por minha tia que ele se espalhou por vários órgãos do corpo. Eu sei, bem triste. O curioso é que ao mesmo tempo que torço para que ela não sofra -ninguém merece agonizar por conta de doença-, não entendo porque a minha amiga deveria insistir em sofrer. Se é mesmo câncer terminal, ela só vai conseguir adiar a morte mais um pouco. Faz muita diferença se for agora ou daqui a duas semanas?

Retrato da alma: a imagem de fundo do processador de texto mostra uma árvore sem folhas em meio a um inverno bastante rigoroso.

Por falar em inverno, reclamei, reclamei e reclamei do último, mas Deus, eu não suporto o verão. Ideal seria um lugar em que a temperatura ficasse entre cinco graus negativos e dez graus positivos. Mais que isso é desespero. Aqui em Nova York é assim: se faz calor, não dá para sair. Os restaurantes ficam lotados, o metrô cheira mal e por onde quer que eu ande, só vejo mulheres semi nuas -único aspecto da estação que agrada o meu marido. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas sinto saudade do inverno. Não nasci para piquenique, odeio shows, odeio multidões. Dependo do Sol como dependo do meu avô: sei que vim dele, mas prefiro evitar o contato.